ADEUS
MARKETING VELHO, FELIZ MARKETING NOVO
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A
inserção publicitária de 30 segundos, antigo pilar do marketing de
massa, vem desaparecendo à medida que a influência de novas tecnologias,
como a Internet, a televisão a cabo e o TiVo,
pulverizam a atenção do público. Conseqüentemente, os anunciantes estão
se voltando para outros tipos de promoção em seu esforço para atingir o
público, conforme explicam os professores da UNIV.
Wharton e
executivos do setor de propaganda.
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Veiculação de anúncio pela Internet e pelo correio, programas de
merchandising no interior das lojas, colocação de produtos em programas
de entretenimento, patrocínio de eventos esportivos e culturais são
apenas algumas das diversas formas pelas quais os profissionais de
marketing procuram hoje anunciar o seu produto.
A
tendência é afastar-se da publicidade de massa sobretudo pela
televisão em direção ao que chamo de formas de publicidade não-tradicionais,
ou alternativas, algumas das quais são bastante antiquadas, assinala Patricia
Williams, professora com PHD EM Marketing da UNIV.
Wharton.
A
decisão de Oprah
Winfrey de
presentear com um Pontiac
todas as 276 pessoas da platéia presentes ao seu programa em 13 de
setembro último, bem como o episódio de The
Apprentice (O aprendiz),
cujo tema proposto aos participantes era a formulação de um anúncio
para a Pepsi
Edge, são
apenas dois exemplos de campanhas alternativas, observa PATRICIA
WILLIAMS.
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A professora Patricia
Williams da
UNIV.
Wharton nota
que a linha entre propaganda e entretenimento é cada vez mais tênue, na
medida em que os profissionais de marketing procuram criar um elo
emocional com os consumidores.
Se
eu puder envolvê-lo com meu produto, se o seu conteúdo lhe parecer
convincente, se tiver humor, for interessante e pertinente de um modo
que não seria possível em uma peça de 30 segundos, posso então, como
profissional da propaganda, tirar proveito de tudo isso introduzindo-me
nessa relação e estabelecendo, assim espero, um relacionamento em nível
mais profundo com você.
Uma
maneira de se conseguir isso se dá pela colocação do produto no mundo
do entretenimento, o que para Williams
pode ser uma estratégia eficaz, contanto que não haja exageros.
Cada
vez mais, os estúdios de cinema e os fabricantes de videogames procuram
diretamente os profissionais de marketing e as agências de propaganda
propondo-lhes parceria na estratégia de comunicação desses setores.
Trata-se de um artifício que confere um grau maior de realismo ao
produto, além de proporcionar oportunidades de financiamento. É uma
situação em que ambos os lados saem ganhando marketing e
entretenimento, contanto que não nenhum dos dois cruze a linha que os
separa.
De
acordo com Williams, o filme 007
contra Golden Eye
foi bem-sucedido na propaganda que fez da BMW
Z3; porém,
um outro filme do espião inglês, 007, Um
novo dia para morrer,
em que se via uma série de produtos que levavam o nome oficial do
fabricante uma garrafa de vodka, um relógio e produtos de maquiagem,
entre outros, foi satirizado pelos críticos que se referiam a ele como
007, Permissão
para faturar.
Se
a tática de venda for barata, o consumidor reagirá a ela da mesma
forma, observa Williams.
É
difícil calcular o retorno do investimento feito em estratégias que
fogem ao convencional; conseqüentemente, é possível que os
profissionais de marketing estejam superestimando o efeito dessas inovações.
Observo com muita freqüência uma disposição em aplicar parâmetros
tradicionais de avaliação a novas formas de mídia, simplesmente
porque os anúncios são modernos e parecem funcionar.
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Uma
nova "Apollo": - É
realmente difícil obter uma mensuração confiável, apesar das freqüentes
tentativas de se medir a eficácia de um anúncio.
Muitos
anunciantes subscreveriam o que disse John
Wanamaker, pioneiro das lojas de departamentos do século 19, que se
queixava de que só parte de sua publicidade funcionava; o problema era
saber que parte era essa.
Para
entender melhor o retorno sobre o investimento gerado pela publicidade
tradicional veiculada pelo rádio e pela televisão, a Procter
& Gamble,
a maior empresa de mercado de massa dos EUA, está promovendo uma joint
venture histórica
entre a Arbitron
- Radio
Ratings and Media Research Information
e a VNU, a
companhia holandesa dona da Nielsen
Media Research,
observa David
Reibstein,
professor
phD EM Marketing da
UNIV.
Wharton.
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Sob o codinome "APOLLO",
o programa utilizará medidores portáteis para detectar as mensagens de
áudio recebidas pelos participantes do projeto durante o dia. O medidor
será acoplado durante a noite a um dispositivo que reproduzirá as
mensagens recebidas arquivando-as em seguida. Os consumidores inscritos no
projeto registrarão também as aquisições feitas, permitindo aos
analistas determinarem o grau de correlação entre as mensagens de mídia
e os hábitos individuais de consumo.
Reibstein
explica que as informações obtidas seriam um grande avanço, porque
permitiram rastrear os padrões individuais. Atualmente, os anunciantes
conhecem apenas as características demográficas gerais do público de
televisão e da mídia impressa, bem como dos consumidores, porém não
sabem se os consumidores respondem a anúncios específicos. Todos
concordam que a mídia tradicional não funciona mais tão bem quanto
antigamente.
A televisão está cercada em frentes diversas, acrescenta. Em
primeiro lugar, muita gente consegue driblar os comerciais gravando os
programas e adiantando as partes reservadas aos intervalos publicitários.
Com o TiVo,
isso ficou ainda mais fácil.
Além
disso, muitas pessoas costumam fazer várias coisas ao mesmo tempo por
exemplo, assistem à televisão enquanto trabalham no computador,
portanto não prestam muita atenção à propaganda.
Outra
ameaça decorre do fato de que as gerações mais jovens, se comparadas às
mais antigas, passam mais tempo diante do computador do que na frente da
televisão. Por fim, o surgimento da televisão a cabo dividiu a audiência
da TV, enfraquecendo assim o alcance que o anunciante obtinha
anteriormente com a veiculação de um comercial.
A
preocupação com a eficácia da publicidade atingiu o ponto máximo na
televisão, diz Reibstein. Haverá aqueles que dirão, e com razão, que
não há motivo para pânico, e que ainda não é o fim do mundo. Eles têm
razão. Contudo, tudo indica que estamos ingressando em uma era em que
tudo terá de ser feito de forma muito diferente do passado.
Ao
mesmo tempo, com exceção dos produtos tecnológicos, muitas marcas de
produtos tão diversos quanto automóveis e sabão em pó, hoje são
marcas maduras, explica Gerard
Smith, diretor
de planejamento global do escritório nova-iorquino da agência francesa
de publicidade Publicis
Worldwide.
Para
se conseguir um resultado qualquer que seja, não basta confiar no
crescimento puro e simples. Trata-se de uma batalha por fatia de
mercado, portanto é preciso ser um pouco mais agressivo.
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O
público consumidor também amadureceu em relação ao tempo em que a
televisão ditava as regras de marketing. É preciso uma astúcia muito
maior para vender; isso fez com que os clientes pressionassem as agências
a serem mais inventivas ao se comunicarem com o consumidor.
David
Schmittlein,
professor
com PHD em Marketing da
UNIV.
Wharton,
observa que o advento de métodos alternativos de marketing obscureceu por
completo a idéia de propaganda.
Onde
a mensagem termina e onde começa o meio em que a mensagem aparece?,
indaga.
Tome-se,
por exemplo, o Rei Leão. É uma peça? Uma série de bonecos? O que é
afinal? A distinção entre um produto e o lugar onde o produto é
promovido é muito vaga, e esse cenário deverá persistir. Schmittlein
observa que a publicidade na Internet está migrando do modelo de outdoor
para o de patrocínio.
Em
sua forma mais eficaz, assemelha-se a um co-patrocínio de coisas sobre
as quais as pessoas querem aprender e com as quais desejam se envolver,
o que é muito diferente dos pop-ups que brotam na tela do computador.
A
publicidade, em constante mutação, tem provocado mudanças também nas
agências, ressalta Schmittlein,
acrescentando que as áreas com maior índice de crescimento no setor são
as de merchandising, marcas, patrocínios e colocação de produtos. São
áreas nas quais os anunciantes não apenas gastam mais, como também
concentram todo o seu programa de comunicações.
Essa
estratégia costumava ser impulsionada pelo comercial de 30 segundos.
À medida que as agências de publicidade se deixaram absorver por
imensas operações globais com o objetivo de gerar economias em tipos
distintos de marketing, o setor criativo responsável pela propaganda na
televisão foi sendo terceirizado, e hoje é responsabilidade de agências
independentes, da mesma forma que as agências já haviam terceirizado o
trabalho de produção para a televisão.
As
maiores agências, assinala Schmittlein, possuem diversas companhias
criativas em seu portfólio, portanto os clientes podem ainda contratar
e demitir as equipes sem precisar para isso desmantelar toda a sua rede
de relações e de marketing.
Contudo,
embora com a importância reduzida, a inserção comercial de 30 segundos
ainda terá um papel a desempenhar se os anunciantes quiserem atingir um público
mais amplo rapidamente, afirma Schmittlein.
Todavia, observa, o total de público alcançado pelas três redes vem
caindo persistentemente e, nos últimos 15 anos, de forma bastante
acentuada.
Se
o seu objetivo é atingir entre 65% e 75% dos EUA [...] isso será hoje
tarefa mais árdua do que há 20 anos. A televisão ainda tem o seu
lugar; porém, no momento em que ela não tiver mais o poder de penetração
já referido, a pressão dos preços sobre a programação será cada
vez maior.
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Lições
de marketing direto: -
Peter
Fader, professor
com PHD em Marketing da
UNIV.
Wharton,
observa que os anunciantes tradicionais estão começando a pegar algumas
dicas com o marketing direto criando canais alternativos através de
listas de endereços e de catálogos.
Antigamente,
bastava pôr um anúncio em I love Lucy ou fazer uma campanha pelo
correio para atingir o usuário individual. Havia uma nítida divisão
entre publicidade e marketing direto. Hoje, perdeu-se a linha divisória.
Atualmente,
por exemplo, diz Fader,
os anúncios veiculados pela televisão podem oferecer diversos números
com prefixo 800, o que permite aos anunciantes identificar qual deles
gerou as melhores respostas.
Os
profissionais do marketing direto sentem-se tentados a declarar a vitória
do seu sistema.
Espera-se,
entretanto, que tenham humildade suficiente para admitir que há espaço
para ambas as coisas. Existem formas de utilizar táticas de marketing
direto para a obtenção de respostas instantâneas, mas há formas também
de construir uma marca.
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Até mesmo o marketing de Internet, como é o caso da Amazon,
recorre às técnicas do marketing direto, como o envio de catálogos para
as casas das pessoas, diz Fader.
As
empresas estão descobrindo por meio de tentativa e erro que o marketing
direto tem seu valor, o que implica aceitar [...] o tipo de tática e de
prestação de contas das quais elas vinham zombando há vários anos.
Jon
Roska, CEO da Roska
Direct,
uma agência de publicidade de Montgomeryville,
na Pensilvânia,
diz que os profissionais de marketing precisam filtrar constantemente seu
público, em vez de alardear sua mensagem para o maior número possível
de pessoas em uma peça publicitária de 30 segundos para a televisão.
Um
comercial de televisão sobre produtos para cães, por exemplo, é
veiculado para todo o público espectador, inclusive para aqueles que não
têm cão algum em casa.
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Todo
produto tem um público-alvo finito, diz Roska. O truque é definir esse
público, ganhá-lo e não desperdiçar um centavo sequer fora desse
mercado.
As
novas tecnologias estão ajudando os profissionais de marketing de várias
formas, acrescenta Roska.
Ele cita com exemplo o POD
(sigla de Print-on-Demand, ou impressão por solicitação),
um sistema que permite aos profissionais de marketing abastecer
diretamente a impressora com informações colhidas nos bancos de dados,
personalizando dessa forma a correspondência.
O
material endereçado a Mary Sue, no Tennessee, traz uma foto de alguma
coisa qualquer desse estado que fala de perto a ela e aos seus
interesses. Já a outra parte do material é dirigida a John Smith, de
Rome, estado de Nova York, e é completamente diferente do primeiro
[...]
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Em
vez de imprimir uma única mensagem milhares de vezes, observa Roska,
hoje podemos personalizar a mensagem de acordo com o destinatário.
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PROFESSORES
CITADOS NO ESTUDO
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